sexta-feira, 14 de abril de 2017

LECTERN – Precept Of Delator


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O LECTERN foi formado em 1999 em Roma (Itália) e aqui nos apresenta com competência seu quinto álbum, Precept Of Delator (2016). Após diversas mudanças de formação ao longo dos anos, parece que a atual se estabilizou e o grupo agora composto por Fabio Bava (vocal e baixo), Pietro Sabato (guitarra), Gabriele Cruz (guitarra) e Marco Valentine (bateria) coloca para fora sua fúria em nove brutais e técnicas faixas. A sonoridade remete ao Death metal estadunidense dos anos 90, ressaltando o típico estilo consagrado em Tampa (Flórida) por bandas como MORBID ANGEL e DEICIDE, mas com mais referencias musicais para a primeira. Eles não reinventaram nada aqui, mas fizeram bem feito o que se propuseram a fazer, evidenciado numa produção de qualidade com todos os instrumentos bem timbrados, a agressividade e técnica caminhando lado a lado sem excessos em alguma dessas partes e um bom grau de maleficência enrustida nas letras. De uma forma geral, a dinâmica do disco é boa e podem ser destacadas faixas como a abertura com Gergal profaner, que já entra arrebentando tudo, seguida por Palpation of sacaramentarian. Fluent bilocation possui ótimos blast beats, Pellucid destaca ótimos solos e bases mais cadenciadas e Diptych of Perked Oblation é bem consistente em bases fortes e sincrônicas entre todos os instrumentos. Sem dúvida este é um grupo italiano que deve ser ouvido pelos apreciadores de Old School Brutal Death metal. Nota: 8.0
Por Écio Souza Diniz
Faixas: 1-Gergal Profaner / 2-Palpation of Sacramentarian / 3-Fluent Bilocation / 4-Distil Shambles / 5-Pellucid / 6-Diptych of Perked Oblation / 7-Garn For Debitors / 8-Precept of Delator / 9-Discorporation with Feral

domingo, 26 de março de 2017

ATACKE NUCLEAR - Extermínio

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A banda Sul-mineira ATACKE NUCLEAR, oriunda de Três Corações, vem deixanado sua marca no underground nacional através de seu Crossover e Thrash Old School autêntico e direto, que retrata a realidade de nosso país e de sua região e cidade, uma das mais violentas do Estado. Agora como trio composto por Gregori (Guitarra e Backing vocal), Luiz O. (Baixo e Backing vocal) e Eduardo S. (Bateria e Vocal) neste segundo álbum mostram musicas ainda mais elaboradas e pesadas do que no debut Caos mundial (2010). A gravação tem uma pegada mais crua, mas que mantêm a clareza necessária para se ouvir perfeitamente todos os instrumentos e vocal, dando uma realçada na agressividade das músicas. As alternâncias entre o Thrash típico de bandas como EXODUS, o Crossover de bandas como SUICIAL TENDENCES e o Speed/Thrash são notadas no decorrer da audição. Mas o principal é de fato a pegada mais Speed/Thrash que percorre o disco, além de alguns elementos Death/Thrash nacional aqui e acolá. A faixa de abertura, Mercadores da morte, já entra com uma boa base de riffs dobrados que logo entram numa pegada mais cortante. Crucifique os falsos entra arrebentando tudo com ótimos solos e uma base muito consistente da bateria. Mas é em Suicidas que temos um dos melhores momentos, visto que é a mais pedrada de todas, lembrando a mescla mineira clássica do Thrash/Death, uma espécie combinação sonora entre MUTILATOR e SARCÓFAGO. Inclusive, nas partes mais cadenciadas lembra o SARCÓFAGO das fases I.N.R.I e Rotting. Ainda se destacam Vítimas do sistema com ótimos “blast beats” e solo lancinante, Silêncio da conveniência com seu refrão marcante e a faixa título que é um esporro sobre a alienação que um governo absoluto submete à nação para ir exterminando-a lentamente. No final das contas ao colocar Extermínio pra rolar, apenas não ouça em volume baixo e sem banguear! Nota: 8.5
Por Écio Souza Diniz
Faixas: 1-Intro – Lamentos do Inferno / 2-Mercadores da Morte / 3-Crucifique os Falsos/ 4-Suicidas / 5-Vítimas do Sistema / 6-SOS Indígenas / 7-País Fantasma / 8-Silencio da Conveniéncia / 9-Extermínio / 10-Guerreiros do Underground/ 11-Impiedade / 12-Insulto

SKINLEPSY – Dissolved

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Já em Condemning the empty souls (2013) o SKINLEPSY já fez jus a experiência dos veteranos que constituem a banda que passaram por bandas como ANTHARES, NERVOCHAOS, PENTACROSTIC e SIGRIED INGRID, tendo a frente atualmente André Gubber na guitarra e vocal, Leonardo Melgaço na segunda guitarra e Evandro Júnior na bateria. A banda não contou com o baixista Luis Berenguer, tendo o baixo sido gravado por Grubber. A fórmula Thrash/Death metal está intacta e de uma forma geral segue a linha do debut, mas o fato é que neste segundo álbum, os caras parecem ter acumulado um ódio ensandecido que culminou em 10 faixas sem trégua, soltando decibéis de riffs poderosos que ainda ficaram mais evidentes com a adição de uma segunda guitarra, permitindo boas alternâncias de bases, e um vocal mais raivoso comparado ao debut. A produção está impecável, desde a timbragem dos instrumentos até masterização e dinâmica das músicas. Logo de entrada vem a porrada com Perfect plan com seus riffs cortantes e compassados em algumas partes, a qual emenda na também certeira The mentor, cujo vocal está insano.  Caustic honor possui um solo muito bem elaborado e colocado. Insomnia é um tema instrumental bem legal, denso, pesado, com boa versatilidade, mostrando que não só de peso vive o homem, mas saber explorar esses elementos é essencial. Mas os destaques maiores ficam para trinca composta por The hate remains the same, também com ótimos solos e um refrão marcante, a faixa título, cuja temática se encaixa bem no seu peso e densidade, abordando a decadência, a luta e o desespero que pessoas viciadas enfrentam perante o vicio em drogas como o Crack, e o fechamento em grande estilo com a regravação de Murder do SIEGRID INGRID, banda lendária que Evandro e Grubber fizeram parte nos anos 90. Dissolved é uma avalanche sonora sem concessões nem modismos e, portanto, digo muito racionalmente que estamos diante de um dos grandes lançamentos de 2017. Nota: 8.5
Por Écio Souza Diniz
Faixas: 1-Perfect Plan / 2- The Mentor / 3.-Ask to Diablo / 4- The Hate Remains the Same / 5- Caustic Honor /6- Dissolved / 7.-Blood and Oil / 8-Insomnia / 9- A New Chance of Life / 10- Murder

terça-feira, 14 de março de 2017

HATEFULMURDER – Red Eyes




O segundo full length da carreira do HATEFULMUDER é um disco rápido, com músicas diretas e agressivas. O que os fãs escutarão aqui é resultado de mais um passo dado com maestria, coesão e sintonia por Renan Campos (guitarra), Thomás Martin (bateria), Felipe Modesto (baixo) – que desde No Peace (2014) excursiona com a banda e agora é responsável por todas as linhas de baixo do novo registro – e, a mais nova integrante, repaginando a linha de frente da banda, Angélica Burns (vocal). Lançado pela gravadora inglesa Secret Service Records, diferentemente do álbum anterior, Red Eyes possui referências mais calcadas no Death metal melódico e impressiona por diversos fatores. Primeiro, a diversidade de vocais, expresso ora pelo jogo de vocais agressivos de Angélica complementados pelos vocais limpos de Modesto – a novidade do disco e na trajetória da banda (confira as faixas Red Eyes e os singles Tear Down e My Battle, com lyric vídeo e clipe respectivamente disponibilizados no Youtube) –  ora pelos vocais agressivos de Renan (ou de toda banda, em coro, ao modo Thrash metal old school) respondendo a vocalista nos refrãos. Segundo, os timbres e riffs de guitarra de Renan, que a cada lançamento se aprimoram. Terceiro, a cozinha comandada por Modesto e Thomás, com destaque para a máquina de guerra que é o baterista (!). Complementa o produto final a arte da capa. Uma arte simples, mas ousada. Além da referência óbvia (uma releitura de “O Homem Vitruviano”, obra do gênio Leonardo da Vinci), é possível enxergar uma caveira. Mas a capa, assim como todo o disco, é aberta a interpretações. Adquira o disco e faça a sua! Nota: 9,0
 Por Ramon Teixeira
 Faixas: 1- Silence Will Fall / 2-Red Eyes / 3-Tear Down / 4-Riot / 5- Teh Meaning of Evil / 6- Time (Enough) at Last / 7- My Battle / 8-You’re Being Watched / 9- Creature of Sorrow

domingo, 12 de março de 2017

HOLOCAUSTO: o massacre War metal está de volta!

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O ano de 2017 é uma celebração especial para a lendária banda belo horizontina HOLOCAUSTO, visto que marca os 30 anos do lançamento do clássico Campo de extermínio (1987), um dos álbuns mais polêmicos e únicos do Metal brasileiro. Mas também há outros acontecimentos especiais rolando desde 2016 como o retorno da banda com a formação clássica de 1986, contando com Rodrigo Führer (vocal), Valério Exterminator (guitarra), Anderson Guerrilheiro (baixo e vocal) e Nedson Warfare (bateria), e a gravação do EP War Metal Massacre, prestes a ser lançado pelo selo estadunidense Nuclear War Now. Nesta entrevista Rodrigo Führer falou sobre esse excelente momento da carreira da banda, além de sua visão sobre o mundo atual.
 PÓLVORA ZINE: Ano passado, vocês fizeram uma produtiva turnê na Alemanha, na qual tocaram no grandioso Nuclear War Now Festival V em Berlim, juntamente com bandas como INCANTATION, SABBAT e VARATHRON. Como foi a experiência de tocar neste festival e no país que inspirou a temática e o estilo da banda, o War metal?
Rodrigo Führer: Foi uma experiência incrível tocar nesse festival brutal com um cast de peso, um marco na história da banda e uma honra representar o metal extremo sul-americano na Europa. É impressionante o reconhecimento e como o metal brasileiro é aclamado lá fora. Quanto a Alemanha é um país fantástico, creio que aprenderam muito com as guerras, mas na verdade somos influenciados por todas as guerras do mundo. A humanidade sempre esteve e sempre vai estar em guerra!  

MATHEUS MANENTE - Illusions Dimension


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Os fãs e entusiastas de música instrumental começam o ano tendo em mãos um bom disco para poderem apreciar. Trata-se do álbum Illusions Dimension do músico multi-instrumentista, compositor e produtor brasileiro Matheus Manente. O trabalho, feito ao modo one-man-band, é um álbum de metal progressivo instrumental com gravação e produção próprias. O disco foi concebido na Gravadora VmbrellA e pode-se dizer que o músico reuniu aqui todas as suas boas referências do Rock e Metal progressivo, se apropriou de lições de várias bandas, misturou tudo para, ao fim, entregar-nos esse lançamento com treze faixas de muita técnica e feeling em alguns momentos. De modo geral, chama a atenção o abuso de sintetizadores, que nos remete aos trabalhos de KING CRIMSON, TANGERINE DREAM e RUSH. Especificamente, destacam-se Inner Peace, como o próprio título sugere, pela calma, sentimento de paz e reflexão que ela proporciona; Symmetry of Evil, a mais longa do álbum, pelos riffs e mudanças de andamento cativantes; Market Garden – o single do disco com clipe disponível no Youtube que mostra Matheus em ação e cenas da operação Market Garden, a maior operação aérea da Segunda Guerra Mundial, cujo título da faixa é uma referência direta – uma música complexa que lida com o paradoxo das pessoas que travam guerras entre si e, por último; Virtual Destruction, que apresenta referências bastante inusitadas extraídas da música eletrônica (fique atento aos 05:18 em diante! Você se lembrará da música feita pela banda THE ALGORITHM). Enfim, uma boa pedida para 2017. Nota: 7,5

 Por Ramon Teixeira

 Faixas: 1-Illusion Dimension / 2- Kinetic Distubances / 3-The Shapley – Curtis Debate / 4-Inner Peace / 5-Symmetry of Evil / 6-Market Garden / 7-Castaway / 8-The Seventh of Nights / 9-Pamukkale/ 10-Virtual Destruction / 11-The Burial of the Count of Orgaz / 12-Brihadeeswarar Temple / 13-Dreams and memories

FALLEN IDOL – Seasons of grief


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O FALLEN IDOL foi formado em 2012, na cidade paulista de Arujá, sendo composto atualmente por Rodrigo Sitta (guitarra e vocal), Márcio Silva (baixo) e Ulisses Campos (bateria). Eles lançaram o primeiro trabalho autointitulado em 2015, mas não perderam tempo e encerraram 2016 com destreza através de Seasons of grief.  Se você é fã do Doom clássico calcado na escola do Black Sabbath, sem dúvida algum este disco lhe agradará, pois o que não falta aqui são riffs afiados, viscerais e densos, embalados por uma mescla muito bem balanceada entre as partes cadenciadas e soturnas com as mais agressivas e melódicas. Além disso, o excelente timbre vocal de Sitta remete à linha característica utilizada em bandas como Candlemass, Trouble, Cathedral e algo de Saint Vitus. A cozinha funciona muito bem, mostrando uma unidade coesa e bem definida, evidenciando claramente as bases de ambos o baixo e a bateria. A gravação é também algo digno de nota, tendo sido direta, sem muitos efeitos, mas ao mesmo tempo enxuta na medida certa. Pode parecer clichê dizer que todas as faixas são ótimas, mas quem ouvir verá que essa afirmação não é tão exagerada como possa parecer. Ao apertar o play você terá seus ouvidos invadidos por uma hipnotizante sessão de distorções, solos inspirados e a dobradinha melancolia/fúria, muito bem introduzidas pela faixa título e Nobody’s life. Ainda se destacam Unceasing guilt, com sua atmosférica épica, remetendo a sensação de uma batalha viking, a pesada e mais acelerada Heading for extinction, que possui uma passagem sombria embalada pelo som de órgão, e The boy and the sea que com a pegada mais Heavy metal do disco, incluindo até mesmo alguns elementos da NWOBHM. Eis aqui um candidato potencial a título futuro de ‘clássico’ nacional. Nota: 9.5

Por Écio Souza Diniz

 Faixas: 1-Seasons of grief / 2-Nobody’s life / 3-Unceasing guilt / 4-Heading for extinction / 5-The boy and the sea / 6-Worsheep Me / 7-Satan’s Crucifixion

INSANE DRIVER – Insane Driver


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Pela milésima vez repito: “a cena metálica nacional não deixa nada a dever para a europeia e norte-americana”. Os paulistanos do INSANE DRIVER exemplificam isso neste álbum de estreia. O som que executam tem uma pegada moderna, mas com características clássicas de bandas como METALLICA e PANTERA são mantidas e evidentes. Na realidade, a grande sacada do álbum é forma com a qual fazem uso de uma ótima técnica para a combinação de melodias com passagens de pegada mais forte, pesada e energética. A produção de forma geral foi bem feita, tanto nas músicas quanto na arte gráfica do encarte. No decorrer das 11 músicas, contando a abertura instrumental com Endless path, a dinâmica é bem estruturada e heterogênea, o que fornece boa diversidade sonora. Os destaques ficam a cargo de Firstly my breakfast, com uma pegada potente da bateria e boas doses de groove, Tide of fears com sua atmosfera densa, angustiante e ótimos solos bem colocados, além dela crescer em densidade, passando por atmosferas variadas. Uma levada semelhante pode ser notada em Buried thoughts, cujos solos dobrados marcam sua tônica. Mas se o que você curte mesmo é pedrada, Change e Today is sunday funcionam como bons arrastões, especialmente a última com os seus riffs afiados. A única coisa que soa um pouco demasiada aqui e acolá é o uso de coros acompanhando riffs de guitarra e quebra para andamentos mais lentos como em Faithless breath, mas nada que deprecie o valor do trabalho.  Sem dúvida essa rapaziada tem muito a oferecer, basta que se mantenham afiados para o próximo álbum e boas oportunidades pela frente os aguardam. Recomendo! Nota: 8,0

Por Écio Souza Diniz

Faixas: 1-Endless path / 2-The edge of lige / 3-Firstly my breakfast / 4-Tide of fears / 5- Buried thoughts / 6-Fallen dreams / 7-Change / 8-Today is Sunday /  9-Faithless breath / 10-Make decisions / 11-Tears of blood

POP JAVALI – Live in Amsterdam


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O Pop Javali, power trio paulista formado por Marcelo Frizzo (baixo e vocal), Jaéder Menossi  (guitarra) e Loks Rasmussen (bateria), é daqueles que merecem, pois qualidade, técnica e feeling andam lado a lado no Hard/Heavy que praticam. Justiça feita, eles obtiveram um saldo muito positivo com o ótimo último álbum, The game of fate, o qual os propiciou uma turnê europeia bem sucedida em 2015, a qual teve seu ponto alto registrado aqui em Live in Amsterdam, gravado no The Waterhole na capital holandesa. O disco foi produzido, mixado e masterizado por Andria Busic, dando uma qualidade adicional, evidenciada na pegada mais crua, porém claramente audível. Assim, este álbum é uma demonstração de energia em profusão comandada por riffs marcantes, solos bem elaborados, cozinha eficiente e um ótimo timbre vocal. Logo na entrada com Road to nowhere, uma das principais faixas de The game of fate, você já se pega cativado, visto sua pegada de boa assimilação e o equilíbrio entre peso, rapidez e melodia. Outros bons destaques são a densa A friend that I’ve lost (ouça as viradas da bateria) e a eficiência na alternância de passagens mais leves e improvisos da guitarra em Time allowed. Embora seja incomparável, a ausência do Dr. Sin nos palcos felizmente pode ser menos sentida através de bandas como o Pop Javali. 8,0

por Écio Souza Diniz

Faixas: 1. Intro / 2. Road to Nowhere / 3. Freemen / 4. Lie to Me / 5. A Friend that I’ve Lost / 6. Wrath of the Soul / 7. Time Allowed / 8. I Wanna Choose

SEPULTURA – Machine Messiah


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A verdade é, desde Roots (1996), momento que crava na história do SEPULTURA a saída de Max Cavalera, que ouvimos que o lançamento da vez é o melhor disco da carreira da banda. Foi assim desde Against (1998) e segue até os dias de hoje. Mas, sejamos lúcidos: em 32 anos de carreira, o novo disco, o 14º álbum nesta trajetória é – numa crescente evolução no quesito experimentalismo, coragem e honestidade para continuar fazendo metal de qualidade – um disco de Thrash metal sofisticado, moderno, mas que ainda merece a ação do tempo para de fato se tornar o clássico que anuncia toda a crítica especializada. Gravado no Fascination Street Studios, na Suécia, o disco é novo, mas não tão novo assim. A banda, desde Dante XXI (2006), vem aos poucos nos apresentando uma série de elementos que aparecem com força no recente trabalho. Quando se escuta com atenção os discos anteriores da carreira da banda, se ouvem vocais limpos, instrumentos tradicionais, violinos, violões, maracatu, groove e mais um tanto de coisas que se vê em Machine Messiah. A diferença é que agora, os músicos contam com o ótimo Eloy Casagrande no comando das baquetas, que confere outro dinamismo às músicas, e, nesse disco, com a produção do sueco Jens Bogren (SOILWORK, OPETH, KATATONIA, AMON AMARTH), que condensou todos esses elementos nesse belíssimo trabalho que a Nuclear Blast distribui ao mundo. O disco explora o tema da robotização da sociedade nos dias de hoje e a capa nos faz lembrar grafismos antes explorados pela banda em outros trabalhos como em Arise (1991) e A-lex (2009), só que agora em cores vivas, expressas na pintura “Deus Ex-Machina” da artista filipina Camille Dela Rosa. Impressionam Sworn Oath, Cyber God, Resistant Parasites e a instrumental Iceberg Dances. Dê o play e descubra você mesmo! Nota: 9,0

 Por Ramon Teixeira

 Faixas: 1- Machine Messiah / 2-I Am The Enemy / 3-Phantom Self / 4-Alethea / 5-Iceberg Dances / 6-Sworn Oath / 7-Resistant Parasites / 8-Silent Violence / 9-Vandals Nest/ 10-Cyber God

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

LACERATED AND CARBONIZED – Narcohell

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Brutalidade pouca é bobagem. Parece que em Narcohell, terceiro álbum dos cariocas do LACERATED AND CARBONIZED produzido por Felipe Eregion (UNEARTHLY), mixado e masterizado pelo produtor alemão Andy Classen (DESTRUCTION, KRISIUN, TANKARD) no Stage One Studios, Alemanha,  essa máxima foi levada bem a serio, pois o que não falta aqui é uma avalanche sonora muito bem executada em todos os elementos (instrumental, dinâmica heterogênea, boa gravação e feeling). Diante do tenso cenário do Estado, mas principalmente da capital, do Rio de Janeiro, com a guerra civil contra o crime e o tráfico em níveis alarmantes, principalmente após a recessão econômica e sócio-política que o Brasil começou vem sofrendo em especial de 2015 para 2016, Narcohell é como se fosse um grito enfurecido que o país precisa colocar pra fora.  A trinca inicial que se abre repleta de fúria com Spawned in rage, seguida pela faixa titulo e Bangu 3, com a participação de Marcus D’Ângelo do CLAUSTROFOBIA, já incita ‘mosh-pits’ de assustar qualquer desavisado. Agora, que batera é aquela em The urge? Além de excelentes viradas, o pedal-duplo é arrebenta as peles do bumbo sem misericórdia. Embora, todas as faixas mostram bons desempenhos, ainda se destacam Condition redParallel stateBroken, com a participação de Mike Hrubovcak do MONSTROSITY, e Hell de Janeiro, uma descrição fiel do desespero e o medo naquela que é nomeada como a “cidade maravilhosa”. De fato Jonathan Cruz (vocal), Caio Menconça (guitarra), Paulo Doc (baixo) e Victor Mendonça (bateria) são uma das melhores bandas do Metal extremo brazuca surgida nos anos 2000 e candidatos altamente gabaritados para ajudar a carregar a bandeira desta cena por vários anos à frente.  Nota: 9,5
 Por Écio Souza Diniz
 Faixas: 1. Spawned In Rage / 2. NarcoHell / 3. Bangu 3 /  4. Severed Nation / 5. The Urge / 6. Broken / 7. Terminal Greed / 8. Condition Red / 9. Ruinous Breed / 10. Decree Of Violence / 11. Parallel State / 12. Hell De Janeiro       / 13. Mass Social Suicide

DORSAL ATLÂNTICA: uma nova saga, à caminho do sertão nordestino!

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Por Écio Souza Diniz
Por uma década houve várias dúvidas se clássica banda carioca DORSAL ATLÂNTICA ainda faria algo novamente, especialmente após várias e veementes afirmações do líder, Carlos “Vândalo” Lopes, sobre não querer mais se envolver com o Metal. Contudo, visto que a existência é um mar de inconstâncias, eis que em 2012 ele surge lançando uma campanha de “crowdfunding” (financiamento coletivo feito pela internet) para o lançamento de um novo álbum, que acabou culminando no CD 2012. A partir daí a gana artística de Lopes cresceu cada vez mais e nesses cinco anos de lá pra cá, também houve bem sucedidos financiamentos para o DVD documentário “Guerrilha – a trajetória da Dorsal Atlântica”, relançamento do livro-biografia da banda e um H.Q sobre a Dorsal que está sendo finalizado. No meio desse frenesi artístico ainda foi lançado pela sua antiga gravadora Heavy, o álbum Imperium (2014). Agora está rolando a campanha para o lançamento de um novo álbum, intitulado Canudos e relativo a historia da rebelião na Cidade de mesmo nome no interior Baiano, o qual Lopes assegura em suas palavras que será: “Um novo estilo de Rock pesado está prestes a nascer”. Confiram isso e muito mais neste interessante bate-papo que ele teve com o PÓLVORA ZINE!
PÓLVORA ZINE: Como está indo a arrecadação por ‘crowdfunding’ para o lançamento do novo álbum, Canudos?
Carlos Lopes: Em primeiro lugar te agradeço por essa primeira pergunta pois este projeto encabeçará o futuro da banda. É válido que alguém que tenha dinheiro – e nem sempre talento – possa lançar seus produtos quando e bem quiser mas eu não posso e nem me enforçarei para isso. É imoral que uma banda com tamanha história tenha que se curvar a contratos espúrios. E como é vai ou racha, eu chamei para o jogo o maior interessado: o fã da Dorsal. A negociação se deu nesse nível, caso contrário ficaria no estaleiro. E cada campanha de crowdfunding trouxe-me experiência e conecção. Primeiro, a campanha para o CD 2012 fez história com uma simbiose inédita entre público e banda. Em seguida, a campanha para os quadrinhos alcançou e superou a meta estipulada, além de abrir uma nova expressão para mim: desenhista. A campanha para Canudos está indo muito bem e mais consciente dos riscos, optei por uma campanha estendida de mais de seis meses e não de apenas dois meses, ainda mais após tantas “crises morais e econômicas”.  

domingo, 22 de janeiro de 2017

TAURUS: o bombardeio Thrash não para!

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Por Écio Souza Diniz
A cena metálica da capital do Estado do Rio de Janeiro sempre foi rica de bandas que se destacam na cena, não atoa que nos anos 80 era um dos principais expoentes de bandas clássicas do Metal cantado em português do país. O Thrash em especial é um estilo abundante que parece cada vez mais crescer e fortalecer na capital carioca, tendo como exemplo a forte cena que hoje se destaca do Thrash/Speed. Mas como tudo tem que ter um começo, quem deu o ponta pé inicial ao lançar um dos mais icônicos álbuns de Thrash brasileiros foi o TAURUS em sua estreia com o clássico Signo de Taurus (1986). Após esta estreia a banda ainda fez ótimos lançamentos, mas como ocorreu para muitas bandas os anos 90 foram severos para o Metal de forma geral, levando-os a cessar as atividades. Felizmente, atualmente a banda está na ativa e em 2016 lançou um DVD comemorativo dos 30 anos de lançamento do álbum de estreia, no qual o tocaram na íntegra no histórico evento “Super Peso Brasil”. O baterista Sérgio Bezz bateu um papo com o PÓLVORA ZINE sobre esses fatos e muito mais. 
PÓLVORA ZINE: Em 2016 vocês lançaram o CD/DVD Signo de Taurus ao vivo 30 anos, celebrando a três décadas do clássico Signo de Taurus (1986). O que principalmente representou para vocês o show que gerou este lançamento?
Sérgio Bezz: O show que se transformou no DVD aconteceu em São Paulo, em um evento muito interessante que reuniu algumas bandas dos anos 80, tendo particularmente com um traço comum: todas cantando em português. Foi um dia muito especial. A repercussão foi muito interessante, porque dele surgiu o projeto de financiamento coletivo, “Super Peso Brasil”, e dele nasceu o DVD de mesmo nome. Lá tiveram três músicas de cada banda. O nosso DVD de 30 anos contém a íntegra daquele show, além de vários extras.  

STRESS: pioneiros do Metal nacional!

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Por Écio Souza Diniz
 A década de 80 foi o período de explosão do Metal brasileiro e apesar das dificuldades em se manter uma banda e gravar um disco naquela época, vários clássicos foram lançados. Agora, se já era difícil para bandas da região sudeste do Brasil que vinham despontariam por volta de 1985/1986 como CENTURIAS, DORSAL ATLÂNTICA, HARPPIA, METALMORPHOSE, entre outras, tente imaginar como deveria ser a aventura de uma banda da longínqua Belém (PA). Pois então, foi exatamente desta cidade que veio o STRESS, o grupo que com a cara e coragem se aventurou no Rio de Janeiro para gravar o primeiro álbum de Heavy metal do Brasil, autointitulado Stress (1982). Com idas e vindas a banda está firme na ativa e participando de diversos projetos e eventos históricos que tem sido realizados nos últimos anos para celebrar as bandas clássicas deste período e manter a chama acesa de nosso bom e velho Metal brazuca cantado em português. O vocalista e baixista Roosevelta Bala é quem nos conta aspectos gerais sobre a trajetória da banda, fazendo-o de uma forma bem informativa e desenvolta.
PÓLVORA ZINE: O STRESS foi a primeira banda brasileira a gravar um LP completo de Heavy metal (Nota: em 1982),  contrariando todas as probabilidades, visto o fato de serem de Belém do Pará, uma localização até então bem distante do sudeste do país onde a cena era mais abrangente. Relembre-nos um pouco sobre a aventura que foi irem até o Rio de Janeiro para voltar com o disco gravado, os principais desafios e o que isso representa hoje para você.
ROOSEVELT BALA: Era infinitamente mais difícil gravar um disco naquela época, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento de dois quartos. Não havia mais o que fazer, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir à diante. Através de um amigo (o Profeta), contatamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso estilo Rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação. Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Ao chegar no estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fodida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixa-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos,pedais, instrumentos..) deveria ser alugado.  

ANTHARES: o caos ainda rola solto!

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Por Écio Souza Diniz
Responsável por um dos pilares do Thrash metal nacional, o álbum No limite da força (1987), os paulistas do ANTHARES após anos de hiato voltaram com tudo no segundo álbum, O caos da razão (2015), que mantêm a pegada feroz da banda e ainda soa bastante atual. Atualmente, o time é composto por Diego Nogueira (vocal), Mauricio Amaral (guitarra), Topperman (Guitarra), Pardal (baixo) e Evandro Jr. (bateria) e tem levado a sua devastação sonora a vários palcos do Brasil. Para nos contar mais sobre o momento atual como também da trajetória da banda, os membros originais Mauricio e Evandro concederam esta entrevista ao PÓLVORA ZINE.
PÓLVORA ZINE: Após 28 anos vocês lançaram o sucessor do clássico No limite da força (1987), intitulado O caos da razão (2015). Como tem sido o saldo perante este novo lançamento? Quais foram os principais motivos que levaram a este hiato tão longo?
Mauricio Amaral: O saldo tem sido positivo, mesmo depois de mais de um ano do lançamento, continuamos colhendo os frutos e a receptividade dos Headbanges tem sido muito boa. Tivemos vários motivos ao longo período entre os dois álbuns. Pouco depois do lançamento do No Limite da Força a formação da banda mudou muito e só se consolidou novamente em 1991. Os anos 90 foram bem ruins para toda a cena Metal e nós encerramos as atividades em 1996. Retomamos em 2004, mas só focamos no novo álbum após a entrada do Diego Nogueira na banda no fim de 2008, quando começamos a realizar vários shows e preparar o material para O Caos da Razão.  

METALMORPHOSE: com o pé no acelerador!


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Por Écio Souza Diniz
Para a felicidade de todos os Headbangers admiradores do Metal oitentista brasileiro, cheio de garra e cantado em português, um ‘revival’ de bandas clássicas do estilo tem invadido novamente o Brasil nos últimos 10 anos, proporcionando às novas gerações a chance de presenciarem aonde os pilares do nosso som pesado se firmaram. Dentre as várias lendas que estão de volta a ativa, a carioca METALMORPHOSE, a qual dividiu o histórico ‘split’ Ultimatum (1985) com os conterrâneos da DORSAL ATLÂNTICA, tem se mostrado a mais produtiva e lançado ótimos álbuns. Desde seu retorno em 2009, a banda segue a todo vapor com lançamentos e shows, se consolidando novamente perante mídia e público. O baixista André Bighinzoli, força motriz da banda que no momento reside em Aosta (Itália), é quem nos fornece detalhamentos sobre tudo isso.
PÓLVORA ZINE: O METALMORPHOSE tem seguido um ritmo produtivo muito rápido e constante após o retorno em 2009, visto que já lançaram dois álbuns ao vivo (nos formatos CD/DVD Odisséia em 2010/2012 e Máquina ao vivoem 2014), dois álbuns de estúdio (Máquina dos sentidos em 2012 e Fúria dos elementos em 2015), além da participação no Super Peso Brasil, que você idealizou a campanha coletiva para o lançamento do CD/DVD. Em sua opinião, qual o principal fator tem alavancado este gás produtivo na banda?
ANDRÉ BIGHINZOLI: O evento Super Peso Brasil também foi iniciativa minha. Procurei o Ricardo Batalha com a ideia de repetir a “Gig” de lançamento do Máquina dos Sentidos que eu havia produzido no ano anterior no Rio e em São Paulo com a METALMORPHOSE, STRESS, SALÁRIO MÍNIMO e CENTÚRIAS. Eu disse ao Batalha que queria fazer algo maior, tipo show de banda gringa, num lugar decente, e que estava disposto a investir numa produção cara apostando que, com um show de alto nível, o público compareceria em massa e valeria a pena. O Batalha embarcou na ideia de corpo e alma na ideia comigo, trabalhamos juntos durante meses. Foi ele que veio com o nome “Super Peso Brasil”, e todo o conceito do show, com as participações especiais, e até a ordem das bandas. Depois que estava tudo pronto, eu pensei “cara, vai ser do caralho! Nós temos que ter um registro de alto nível do evento. Eu tenho que filmar essa porra de qualquer jeito!”. Eu já estava quebrado, sem grana nenhuma, no fim das contas eu e o PP Cavalcante tivemos prejuízo financeiro no evento, mas aí é outra história… Respondendo a sua pergunta, desde 2008 até o final de 2015, fui eu que sempre arquitetei o próximo passo, e a banda sempre respondeu prontamente. Formamos um belo time e acho que o nosso barco teve um bom capitão. Eu me orgulho disso.  

AZUL LIMÃO: um legado que já ultrapassa 30 anos.

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Por Écio Souza Diniz 
Um dos nomes lendários do Metal Brasileiro oitentista, o grupo carioca AZUL LIMÃO deixou sua marca na nossa história com o seu debut, Vingança(1986), o qual hoje é um dos grandes clássicos do estilo por aqui. Adicionalmente, ainda fizeram uma boa jogada com o EP Ordem e progresso (1987), mas como nem tudo é repleto de maravilhas, a banda se separou e ainda permanece inativa, tendo se reunido apenas para o lançamento do álbum/compilação Regras do jogo (2013). O guitarrista Marcos Dantas (METALMORPHOSE) é quem conta ao PÓLVORA ZINE detalhes sobre tudo isso, além de mencionar sua visão sobre a cena metálica atual e o consumo virtual de música.
 PÓLVORA ZINE: O AZUL LIMÃO está dentre as bandas mais clássicas do metal carioca e nacional, tendo sido responsável pelo clássico álbum Vingança (1986) e o EP Ordem e Progresso (1987). O que motivou a reunião da banda para gravar Regras do Jogo (2013)? 
Marcos Dantas: Não houve retorno da banda! O Aderson do selo Dies Irae me procurou interessado em material da banda gravado em shows para lançar um CD ao vivo. Fiz uma contraproposta de reunir a banda em sua formação original para gravarmos as músicas que tocávamos nos shows nos anos 80 e que não foram incluídas nos dois álbuns. Ele topou! Então falei com Vinícius e com Ricardo e começamos todo o processo de relembrar as músicas, ensaiá-las e gravar o instrumental em 2010. Ficamos aguardando Rodrigo passar pelo Brasil em suas extensas turnês como cantor lírico e no final de 2011 ele colocou sua voz na gravação. Em 2012 já tínhamos a mixagem pronta, mas depois que conheci o trabalho do Gustavo com o METALMORPHOSE, resolvi remixar o álbum com ele em 2013. Ainda em 2013, aproveitamos outra passagem do Rodrigo pelo Rio de Janeiro e fizemos um show no Rio Rock Blues Club, na Lapa, para comemorar os 30 anos da formação clássica da banda, o qual pode ser assistido no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=UAxgUCnEC0o