quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

LACERATED AND CARBONIZED – Narcohell

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Brutalidade pouca é bobagem. Parece que em Narcohell, terceiro álbum dos cariocas do LACERATED AND CARBONIZED produzido por Felipe Eregion (UNEARTHLY), mixado e masterizado pelo produtor alemão Andy Classen (DESTRUCTION, KRISIUN, TANKARD) no Stage One Studios, Alemanha,  essa máxima foi levada bem a serio, pois o que não falta aqui é uma avalanche sonora muito bem executada em todos os elementos (instrumental, dinâmica heterogênea, boa gravação e feeling). Diante do tenso cenário do Estado, mas principalmente da capital, do Rio de Janeiro, com a guerra civil contra o crime e o tráfico em níveis alarmantes, principalmente após a recessão econômica e sócio-política que o Brasil começou vem sofrendo em especial de 2015 para 2016, Narcohell é como se fosse um grito enfurecido que o país precisa colocar pra fora.  A trinca inicial que se abre repleta de fúria com Spawned in rage, seguida pela faixa titulo e Bangu 3, com a participação de Marcus D’Ângelo do CLAUSTROFOBIA, já incita ‘mosh-pits’ de assustar qualquer desavisado. Agora, que batera é aquela em The urge? Além de excelentes viradas, o pedal-duplo é arrebenta as peles do bumbo sem misericórdia. Embora, todas as faixas mostram bons desempenhos, ainda se destacam Condition redParallel stateBroken, com a participação de Mike Hrubovcak do MONSTROSITY, e Hell de Janeiro, uma descrição fiel do desespero e o medo naquela que é nomeada como a “cidade maravilhosa”. De fato Jonathan Cruz (vocal), Caio Menconça (guitarra), Paulo Doc (baixo) e Victor Mendonça (bateria) são uma das melhores bandas do Metal extremo brazuca surgida nos anos 2000 e candidatos altamente gabaritados para ajudar a carregar a bandeira desta cena por vários anos à frente.  Nota: 9,5
 Por Écio Souza Diniz
 Faixas: 1. Spawned In Rage / 2. NarcoHell / 3. Bangu 3 /  4. Severed Nation / 5. The Urge / 6. Broken / 7. Terminal Greed / 8. Condition Red / 9. Ruinous Breed / 10. Decree Of Violence / 11. Parallel State / 12. Hell De Janeiro       / 13. Mass Social Suicide

DORSAL ATLÂNTICA: uma nova saga, à caminho do sertão nordestino!

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Por Écio Souza Diniz
Por uma década houve várias dúvidas se clássica banda carioca DORSAL ATLÂNTICA ainda faria algo novamente, especialmente após várias e veementes afirmações do líder, Carlos “Vândalo” Lopes, sobre não querer mais se envolver com o Metal. Contudo, visto que a existência é um mar de inconstâncias, eis que em 2012 ele surge lançando uma campanha de “crowdfunding” (financiamento coletivo feito pela internet) para o lançamento de um novo álbum, que acabou culminando no CD 2012. A partir daí a gana artística de Lopes cresceu cada vez mais e nesses cinco anos de lá pra cá, também houve bem sucedidos financiamentos para o DVD documentário “Guerrilha – a trajetória da Dorsal Atlântica”, relançamento do livro-biografia da banda e um H.Q sobre a Dorsal que está sendo finalizado. No meio desse frenesi artístico ainda foi lançado pela sua antiga gravadora Heavy, o álbum Imperium (2014). Agora está rolando a campanha para o lançamento de um novo álbum, intitulado Canudos e relativo a historia da rebelião na Cidade de mesmo nome no interior Baiano, o qual Lopes assegura em suas palavras que será: “Um novo estilo de Rock pesado está prestes a nascer”. Confiram isso e muito mais neste interessante bate-papo que ele teve com o PÓLVORA ZINE!
PÓLVORA ZINE: Como está indo a arrecadação por ‘crowdfunding’ para o lançamento do novo álbum, Canudos?
Carlos Lopes: Em primeiro lugar te agradeço por essa primeira pergunta pois este projeto encabeçará o futuro da banda. É válido que alguém que tenha dinheiro – e nem sempre talento – possa lançar seus produtos quando e bem quiser mas eu não posso e nem me enforçarei para isso. É imoral que uma banda com tamanha história tenha que se curvar a contratos espúrios. E como é vai ou racha, eu chamei para o jogo o maior interessado: o fã da Dorsal. A negociação se deu nesse nível, caso contrário ficaria no estaleiro. E cada campanha de crowdfunding trouxe-me experiência e conecção. Primeiro, a campanha para o CD 2012 fez história com uma simbiose inédita entre público e banda. Em seguida, a campanha para os quadrinhos alcançou e superou a meta estipulada, além de abrir uma nova expressão para mim: desenhista. A campanha para Canudos está indo muito bem e mais consciente dos riscos, optei por uma campanha estendida de mais de seis meses e não de apenas dois meses, ainda mais após tantas “crises morais e econômicas”.  

domingo, 22 de janeiro de 2017

TAURUS: o bombardeio Thrash não para!

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Por Écio Souza Diniz
A cena metálica da capital do Estado do Rio de Janeiro sempre foi rica de bandas que se destacam na cena, não atoa que nos anos 80 era um dos principais expoentes de bandas clássicas do Metal cantado em português do país. O Thrash em especial é um estilo abundante que parece cada vez mais crescer e fortalecer na capital carioca, tendo como exemplo a forte cena que hoje se destaca do Thrash/Speed. Mas como tudo tem que ter um começo, quem deu o ponta pé inicial ao lançar um dos mais icônicos álbuns de Thrash brasileiros foi o TAURUS em sua estreia com o clássico Signo de Taurus (1986). Após esta estreia a banda ainda fez ótimos lançamentos, mas como ocorreu para muitas bandas os anos 90 foram severos para o Metal de forma geral, levando-os a cessar as atividades. Felizmente, atualmente a banda está na ativa e em 2016 lançou um DVD comemorativo dos 30 anos de lançamento do álbum de estreia, no qual o tocaram na íntegra no histórico evento “Super Peso Brasil”. O baterista Sérgio Bezz bateu um papo com o PÓLVORA ZINE sobre esses fatos e muito mais. 
PÓLVORA ZINE: Em 2016 vocês lançaram o CD/DVD Signo de Taurus ao vivo 30 anos, celebrando a três décadas do clássico Signo de Taurus (1986). O que principalmente representou para vocês o show que gerou este lançamento?
Sérgio Bezz: O show que se transformou no DVD aconteceu em São Paulo, em um evento muito interessante que reuniu algumas bandas dos anos 80, tendo particularmente com um traço comum: todas cantando em português. Foi um dia muito especial. A repercussão foi muito interessante, porque dele surgiu o projeto de financiamento coletivo, “Super Peso Brasil”, e dele nasceu o DVD de mesmo nome. Lá tiveram três músicas de cada banda. O nosso DVD de 30 anos contém a íntegra daquele show, além de vários extras.  

STRESS: pioneiros do Metal nacional!

Lançamento!

Por Écio Souza Diniz
 A década de 80 foi o período de explosão do Metal brasileiro e apesar das dificuldades em se manter uma banda e gravar um disco naquela época, vários clássicos foram lançados. Agora, se já era difícil para bandas da região sudeste do Brasil que vinham despontariam por volta de 1985/1986 como CENTURIAS, DORSAL ATLÂNTICA, HARPPIA, METALMORPHOSE, entre outras, tente imaginar como deveria ser a aventura de uma banda da longínqua Belém (PA). Pois então, foi exatamente desta cidade que veio o STRESS, o grupo que com a cara e coragem se aventurou no Rio de Janeiro para gravar o primeiro álbum de Heavy metal do Brasil, autointitulado Stress (1982). Com idas e vindas a banda está firme na ativa e participando de diversos projetos e eventos históricos que tem sido realizados nos últimos anos para celebrar as bandas clássicas deste período e manter a chama acesa de nosso bom e velho Metal brazuca cantado em português. O vocalista e baixista Roosevelta Bala é quem nos conta aspectos gerais sobre a trajetória da banda, fazendo-o de uma forma bem informativa e desenvolta.
PÓLVORA ZINE: O STRESS foi a primeira banda brasileira a gravar um LP completo de Heavy metal (Nota: em 1982),  contrariando todas as probabilidades, visto o fato de serem de Belém do Pará, uma localização até então bem distante do sudeste do país onde a cena era mais abrangente. Relembre-nos um pouco sobre a aventura que foi irem até o Rio de Janeiro para voltar com o disco gravado, os principais desafios e o que isso representa hoje para você.
ROOSEVELT BALA: Era infinitamente mais difícil gravar um disco naquela época, os custos eram altíssimos, equivalente ao de um apartamento de dois quartos. Não havia mais o que fazer, já tínhamos tocado nos melhores e mais conceituados teatros e ginásios da cidade, era preciso seguir à diante. Através de um amigo (o Profeta), contatamos o estúdio Sonoviso, no Rio, que nos garantiu que saberia gravar o nosso estilo Rock, já tinham feito isso várias vezes e dispunham de todo equipamento necessário para a gravação. Juntamos dinheiro com shows, vendemos objetos, pedimos pros pais e pegamos um ônibus pra enfrentar três dias de estrada até o Rio. Ficamos numa modesta pensão no Catete, dividindo beliches num único quarto. Ao chegar no estúdio nos foi oferecida uma bateria toda fodida, quebrada e desmontada, jogada num canto de uma saleta. Usamos barbantes e fita adesiva pra deixa-la armada. Recebemos a informação de que todo o equipamento prometido (bateria, efeitos,pedais, instrumentos..) deveria ser alugado.  

ANTHARES: o caos ainda rola solto!

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Por Écio Souza Diniz
Responsável por um dos pilares do Thrash metal nacional, o álbum No limite da força (1987), os paulistas do ANTHARES após anos de hiato voltaram com tudo no segundo álbum, O caos da razão (2015), que mantêm a pegada feroz da banda e ainda soa bastante atual. Atualmente, o time é composto por Diego Nogueira (vocal), Mauricio Amaral (guitarra), Topperman (Guitarra), Pardal (baixo) e Evandro Jr. (bateria) e tem levado a sua devastação sonora a vários palcos do Brasil. Para nos contar mais sobre o momento atual como também da trajetória da banda, os membros originais Mauricio e Evandro concederam esta entrevista ao PÓLVORA ZINE.
PÓLVORA ZINE: Após 28 anos vocês lançaram o sucessor do clássico No limite da força (1987), intitulado O caos da razão (2015). Como tem sido o saldo perante este novo lançamento? Quais foram os principais motivos que levaram a este hiato tão longo?
Mauricio Amaral: O saldo tem sido positivo, mesmo depois de mais de um ano do lançamento, continuamos colhendo os frutos e a receptividade dos Headbanges tem sido muito boa. Tivemos vários motivos ao longo período entre os dois álbuns. Pouco depois do lançamento do No Limite da Força a formação da banda mudou muito e só se consolidou novamente em 1991. Os anos 90 foram bem ruins para toda a cena Metal e nós encerramos as atividades em 1996. Retomamos em 2004, mas só focamos no novo álbum após a entrada do Diego Nogueira na banda no fim de 2008, quando começamos a realizar vários shows e preparar o material para O Caos da Razão.  

METALMORPHOSE: com o pé no acelerador!


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Por Écio Souza Diniz
Para a felicidade de todos os Headbangers admiradores do Metal oitentista brasileiro, cheio de garra e cantado em português, um ‘revival’ de bandas clássicas do estilo tem invadido novamente o Brasil nos últimos 10 anos, proporcionando às novas gerações a chance de presenciarem aonde os pilares do nosso som pesado se firmaram. Dentre as várias lendas que estão de volta a ativa, a carioca METALMORPHOSE, a qual dividiu o histórico ‘split’ Ultimatum (1985) com os conterrâneos da DORSAL ATLÂNTICA, tem se mostrado a mais produtiva e lançado ótimos álbuns. Desde seu retorno em 2009, a banda segue a todo vapor com lançamentos e shows, se consolidando novamente perante mídia e público. O baixista André Bighinzoli, força motriz da banda que no momento reside em Aosta (Itália), é quem nos fornece detalhamentos sobre tudo isso.
PÓLVORA ZINE: O METALMORPHOSE tem seguido um ritmo produtivo muito rápido e constante após o retorno em 2009, visto que já lançaram dois álbuns ao vivo (nos formatos CD/DVD Odisséia em 2010/2012 e Máquina ao vivoem 2014), dois álbuns de estúdio (Máquina dos sentidos em 2012 e Fúria dos elementos em 2015), além da participação no Super Peso Brasil, que você idealizou a campanha coletiva para o lançamento do CD/DVD. Em sua opinião, qual o principal fator tem alavancado este gás produtivo na banda?
ANDRÉ BIGHINZOLI: O evento Super Peso Brasil também foi iniciativa minha. Procurei o Ricardo Batalha com a ideia de repetir a “Gig” de lançamento do Máquina dos Sentidos que eu havia produzido no ano anterior no Rio e em São Paulo com a METALMORPHOSE, STRESS, SALÁRIO MÍNIMO e CENTÚRIAS. Eu disse ao Batalha que queria fazer algo maior, tipo show de banda gringa, num lugar decente, e que estava disposto a investir numa produção cara apostando que, com um show de alto nível, o público compareceria em massa e valeria a pena. O Batalha embarcou na ideia de corpo e alma na ideia comigo, trabalhamos juntos durante meses. Foi ele que veio com o nome “Super Peso Brasil”, e todo o conceito do show, com as participações especiais, e até a ordem das bandas. Depois que estava tudo pronto, eu pensei “cara, vai ser do caralho! Nós temos que ter um registro de alto nível do evento. Eu tenho que filmar essa porra de qualquer jeito!”. Eu já estava quebrado, sem grana nenhuma, no fim das contas eu e o PP Cavalcante tivemos prejuízo financeiro no evento, mas aí é outra história… Respondendo a sua pergunta, desde 2008 até o final de 2015, fui eu que sempre arquitetei o próximo passo, e a banda sempre respondeu prontamente. Formamos um belo time e acho que o nosso barco teve um bom capitão. Eu me orgulho disso.  

AZUL LIMÃO: um legado que já ultrapassa 30 anos.

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Por Écio Souza Diniz 
Um dos nomes lendários do Metal Brasileiro oitentista, o grupo carioca AZUL LIMÃO deixou sua marca na nossa história com o seu debut, Vingança(1986), o qual hoje é um dos grandes clássicos do estilo por aqui. Adicionalmente, ainda fizeram uma boa jogada com o EP Ordem e progresso (1987), mas como nem tudo é repleto de maravilhas, a banda se separou e ainda permanece inativa, tendo se reunido apenas para o lançamento do álbum/compilação Regras do jogo (2013). O guitarrista Marcos Dantas (METALMORPHOSE) é quem conta ao PÓLVORA ZINE detalhes sobre tudo isso, além de mencionar sua visão sobre a cena metálica atual e o consumo virtual de música.
 PÓLVORA ZINE: O AZUL LIMÃO está dentre as bandas mais clássicas do metal carioca e nacional, tendo sido responsável pelo clássico álbum Vingança (1986) e o EP Ordem e Progresso (1987). O que motivou a reunião da banda para gravar Regras do Jogo (2013)? 
Marcos Dantas: Não houve retorno da banda! O Aderson do selo Dies Irae me procurou interessado em material da banda gravado em shows para lançar um CD ao vivo. Fiz uma contraproposta de reunir a banda em sua formação original para gravarmos as músicas que tocávamos nos shows nos anos 80 e que não foram incluídas nos dois álbuns. Ele topou! Então falei com Vinícius e com Ricardo e começamos todo o processo de relembrar as músicas, ensaiá-las e gravar o instrumental em 2010. Ficamos aguardando Rodrigo passar pelo Brasil em suas extensas turnês como cantor lírico e no final de 2011 ele colocou sua voz na gravação. Em 2012 já tínhamos a mixagem pronta, mas depois que conheci o trabalho do Gustavo com o METALMORPHOSE, resolvi remixar o álbum com ele em 2013. Ainda em 2013, aproveitamos outra passagem do Rodrigo pelo Rio de Janeiro e fizemos um show no Rio Rock Blues Club, na Lapa, para comemorar os 30 anos da formação clássica da banda, o qual pode ser assistido no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=UAxgUCnEC0o     

sábado, 21 de janeiro de 2017

MARENNA – No regrets

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O MARENNA, projeto criado pelo guitarrista gaúcho Rodrigo Marenna em 2014 já surpreendia pela qualidade no EP My Unconditional Faith (2015) e agora no ‘full length’ No regrets(2016), unido a vários músicos que atuaram como participação especial para executar suas composições, nos traz uma ótima atmosfera do Melodic Hard Rock e AOR dos anos 80/90. A qualidade da produção de forma geral, destacando, por exemplo, a timbragem dos instrumentos, e das composições certamente agradarão os fãs do estilo, pois são fortes, repletas de ‘feeling’ e de grande personalidade. A trinca inicial já prende a atenção e empolga a audição, mostrando aquela pegada AOR a lá JOURNEY na abertura com Reason to live, a marcante Hard Rock oitentista Can’t let you go e a revigorante Never surrender, com seus excelentes solos melódicos e um refrão daqueles que grudam bem na cabeça.  The price tem uma levada mais cadenciada e bem legal e Fall in love again é daquelas ‘power balads’ de fazer marmanjo chorar, lembrando bastante o TRIXTER.  About love é outra balada, porém, com solos poderosos. Alguém falou AXEL RUDI PELL? A faixa título fecha em grande estilo. Não foi atoa que o guitarrista foi o único musico de seu Estado a ser finalista do concurso mundial para tocar no aclamado “Sweden Rock Festival”. Recomendadíssimo. Nota. 8.0
Por Écio Souza Diniz
Faixas: 1-Reason To Live / 2 – Can´t Let You Go / 3 – Never Surrender / 4 – Come Back / 5 – The Price / 6 – Fall In love Again / 7 – About Love / 8 – Forever / 9 – So Different / 10 – No Regrets

S.U.C – Sádka Utopia Convergente


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Dentre as várias coisas que dão orgulho no underground brasileiro, o Metal extremo é certamente uma delas, pois se tem algo que muitos brasileiros fazem bem neste tipo de música é arrebentar os falantes da caixa de som com uma sonoridade agressiva, crua e sem concessões. Hoje, temos uma das melhores cenas Grindcore do mundo e bandas como a S.U.C, oriunda de São Carlos (SP) e composta por Letícia Barbosa (vocal), Guilherme Santos (bateria), Guilherme Souza (guitarra) e Egiliane (baixo) ajudam a fortalecer e sustentar essa cena. Ambas a produção e gravação deste EP lançado ano passado foram feitas de forma séria e profissional. Mas não venha esperando aquele Grind pasteurizado que hoje em dia é fácil de encontrar, pois a pegada aqui é oldschool calcada na linha dos clássicos de bandas como AGATHOCLES e NAPALM DEATH aliada a elementos de Crust/H.C., lembrando em alguns momentos DOOM e a fase anos 80 do EXTREME NOISE TERROR. Suprema covardia entra atirando tudo para o alto com riffs cortantes e uma bateria com ótimas passagens de batidas mais compassadas e rápidas, típicas do H.C., dando sequência numa pegada firme com Desgraça e Enquanto eles agonizam, cuja tônica é rapidez e brutalidade descomunais. Mas se é pra falar de pancadaria, Corporation’s slaves (Work for death) sustenta a acidez dos riffs e a metranca da batera. Mas Vidas desumanas certamente é o ponto alto, através da mescla de todos os elementos descritos acima de forma bem sacada. Pra encerrar com ódio exalando pelos poros neste momento de gritante corrupção, alienação conservadora e injustiça e desigual social, a faixa A causa é a mesma é uma boa pedida. Que venha logo o full-length. Sai da frente se não quiser ser atropelado! Nota: 8.0
Por Écio Souza Diniz
Faixas: 1-Suprema covardia / 2-Desgraça / 3-Enquanto eles agonizam / 4- Corporation’s slaves (Work for death) / 5-Vidas desumanas / 6-A causa é a mesma

NAHUM – And The Chaos Has Begun



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Advinda da República Tcheca a banda formada por Pavel Balcar (vocal), Tomash Nahum (guitarra), Zdeněk Šrubař (guitarra), Hanis Balcar (baixo) e Tom Brighter (bateria) rompe o hiato entre o último lançamento The Gates are Open (2013) e entrega aos fãs e entusiastas da música extrema um disco coeso, bem produzido e com um tracklist que não deixará pedra sobre pedra. Gravado no Estúdio GM e lançado em 1000 cópias pelo selo MuSick Attack – e também disponível para streaming no bandcamp do quinteto – o disco é composto por nove faixas inéditas. A capa, uma bela arte, já é um prelúdio do que invadirá a audição dos intrépidos. Na ativa desde 2004, a banda pratica um Thrash/Death metal técnico e brutal com belas mudanças de andamento que torna o som praticado interessante e diversificado. Para escutar com o som no talo, neste lançamento a banda oferece, para citar alguns exemplos, faixas como Vomit the Darkness que mostra uma cozinha eficiente, The Clash of the Fury com uma violenta progressão até blast beats ensandecedores. Completam os destaques Under Fire www (World Wide War)Nota: 8,0
 Por Ramon Teixeira
 Faixas: 1-Raging Chaos / 2-Vomit the Drakness / 3-Creator of Emptiness / 4-Funeral of Age/ 5-Damned / 6-The Clash of the Fury / 7-Under Fire / 8-Rotten Lies / 9-www (World Wide War)

TYTUS - Rises

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Com dois anos de existência e após o EP White Lines (2014), a banda italiana TYTUS, formada por IIija Riffmeister (voz e guitarra), Mark Simon Hell (guitarra), Markey Moon (voz e baixo) e Frank Bardy (bateria) faz bonito e dá fim à espera ao entregar aos fãs e headbangers que curtem um som calcado na NWOBHM e no Hard rock setentista o seu mais recente lançamento, o álbum Rises. Gravado e masterizado na Itália por Francesco Bardaro e Alessandro Perosa no Track Teminal Studio (nos Estados Unidos a masterização ficou a cargo de Will Killingsworth), o trabalho foi lançado pela Sliptrick Records e impressiona pela qualidade de produção: moderna, cristalina, com excelente equalização, é possível ouvir em alto e bom som todos os instrumentos. Tratando-se do estilo, faz toda a diferença poder ouvir as constantes dobradinhas das guitarras (IRON MAIDEN e KISS vem à cabeça toda hora!), preenchidas pelo som coeso da cozinha comandada por Frank, que unida às belas vozes de IIija e Markey farão você se sentir nos anos 70. A capa do disco dá o tom do que se encontrará aqui: ao todo são dez faixas explosivas e quentes como o Sol que agradarão os ouvidos e colocará o ouvinte pra cima. Destacam-se o single Haunted (que possui um clipe psicodélico no Youtube), Omnia Sunt Communia e Inland ViewNota: 8,5
Por Ramon Teixeira
Faixas: 1-Ode to The Mighty Sun / 2-New Frontier / 3-Haunted / 4-325 A.D. / 5-White Lines/ 6-Omnia Sunt Communia / 7-Inland View / 8-Desperate Hopes / 9-New Dawn’s Eve / 10-Blues On The Verge of Apocalypse

BURNING IN DECEPTION – Madness Arises

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Eis que três anos após a sua concepção, o projeto BURNING IN DECEPTION, nascido da ideia do vocalista brasileiro Ruan C.Elias em parceria com o guitarrista e produtor italiano Vincenzo Avallone, disponibiliza para streaming o seu EP de estreia. Gravado no estúdio italiano Deep Water Recordings e com produção de Avallone e Georgia Damigou (também responsável pelas partes orquestradas e teclados), o trabalho contou ainda com as participações de Fabrizio Santini (baixo), Alexandros Despotidis (guitarra, LUNAR CYRCLE) e George Constantine Kratsas (guitarra, MANHATTAN PROJECT). Com perdão do trocadilho, não haverá decepção ao se escutar este belo trabalho. Com um prelúdio de tirar o fôlego com a instrumental Madness Arises, o som que se confere em seguida é fundamentado no Death metal, todavia, o experimentalismo é a palavra que define o registro: uma mistura do gênero extremo com Symphonic metal, Gothic metal, e um pouco de influência de Power metal cativa e proporciona uma viagem musical bem interessante. Um disco para quem curte metal lírica e musicalmente bem feito (quem curte bandas como DIMMU BORGIR, SEPTIC FLESH e FLESHGOD APOCALYPSE têm mais um disco para integrar a lista!). O vocal de Ruan é um detalhe à parte: ele consegue com maestria alternar o vocal limpo para um poderoso gutural, dando vida e sentimento às letras. Além da introdução, destacam-se as faixas First Blood e A Brief Moment in Time. Vale a escuta! Nota: 8,5
 Por Ramon Teixeira
 Faixas: 1-Madness Arises (intro) / 2-Asylum / 3-First Blood / 4-Unholy Sight / 5-A Brief Moment in Time / 6-Finally Free (outro)

BLOODY MORGUE – Bloody Morgue


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Na ativa desde 2014, formada por Daniel Trench (vocal), Cristian Bernardes (baixo), Fabricio Sommer (bateria), Phil Barragan e Demetrius Cardoso (guitarras), a banda BLOODY MORGUE brinda os fãs de música extrema com um poderoso trabalho, seu EP homônimo de estreia. A banda, natural do estado do Rio Grande do Sul, como é de se esperar das bandas extremas dessa região, não decepciona e fortalece as fileiras do cenário Death metal brasileiro. Gravado no Estúdio Suleiman e com produção assinada por Gabriel Suleiman, o lançamento mostra uma banda em sintonia, com uma proposta consistente, técnica e, ao mesmo tempo, sem firulas. Com a abertura soturna de Enter the Morgue, o que se vê em seguida é muita brutalidade.Com quase quinze minutos de música, o EP é um arrasa quarteirão. A banda – destaque para a bateria, que diversifica o andamento das músicas –, ora toca agressivamente, ora de forma cadenciada, tornando o som interessante. Completa a destruição o comando dado pela poderosa voz do ótimo vocalista Daniel. Destacam-se as faixas Bloody CeremonyUnholy Ceremony Hellish Carnage.  Excelente trabalho de estreia: aqui seus tímpanos irão sangrar, pois o golpe é certeiro! Vale a pena a escuta. Nota: 8,0 
Por Ramon Teixeira 
Faixas: 1-Enter the Morgue / 2-Bloody Morgue / 3-Murder for Revenge / 4-Unholy Ceremony / 5-Hellish Carnage