quinta-feira, 25 de julho de 2013

GOATLOVE: contrariando tendências e modismos!


Por Écio Diniz

Atualmente, algo um tanto difícil muitas vezes na cena metálica é propor algo com uma alta originalidade, visto que há uma gama imensa de estilos, e muitas bandas repetem fórmulas já criadas em outrora. De forma que contrarie esta ‘tendência’ e caminhe no sentido oposto do óbvio, deixando uma série de indagações sobre o que praticam, os paulistanos do Goatlove foram uma das revelações prazerosas no Brasil nos últimos tempos. Com sua aura Gothic Rock, composta por uma mescla de estilos que podem ser evidenciados do punk à medalhões do estilo como Sisters of Mercy, Bauhaus e até mesmo passagens a lá Paradise Lost, a banda vem chamando a atenção por sua música digamos incomum diante do que vem sendo produzido por aí. A verdade, é que é difícil enquadra-los em um rótulo único. O time aqui é composto por Roger Lombardi nos vocais, Fabio Gusmão e Marco Nunes nas guitarras, Frank Gasparotono baixo e Alexandre Watt na bateria. É exatamente para nos falar sobre o conceito de seu som e outros vários aspectos envolvendo seu debut, The Goats Are NotWhatTheySeem, lançado no segundo semestre de 2012, que chamamos Roger Lombardi para bater um papo.

Pólvora Zine: Roger, a ideia de formar o Goatlove partiu de você, certo? Fale-nos sobre o processo que o levou a montar a banda.

Roger: Isso. A ideia era simplesmente formar uma banda para colocar na prática conceitos e influências das quais eu acreditava. Ou seja, o mesmo caminho de qualquer outra. A partir do momento que fui encontrando outras pessoas que também pensavam assim, o grupo tomou corpo.

P.Z: De forma geral, como tem sido a recepção à The Goats Are Not What They Seem?

Roger: A maioria tem gostado, ao menos das pessoas que tivemos contato. Acho que acabou sendo uma surpresa para muitos, por diversos motivos, e isso foi excelente (risos).

P.Z: O que você pensa sobre a evolução da banda, sobretudo com relação a parte instrumental, desde o lançamento do primeiro single, Look What The GoatDragged In (2008), passando pelo EP Automatic Fire (2010) até o debut?

Roger: Bom, quando gravamos o Look What The GoatDragged In, era apenas eu e o Rodrigo Toledo, que gravou todos os instrumentos. Eu mostrei as músicas e fomos trabalhando em dupla. Já no Automatic Fire, a espinha da banda já estava formada, principalmente pela entrada do Marco Nunes, que passou a trabalhar comigo os arranjos e cuidou de toda a parte de gravação e produção. Quando chegamos à etapa de gravar o disco, já existia uma banda, estávamos ensaiando as músicas e sabíamos bem como tirar o melhor das composições, assim como o Marco já sabia como iria gravar e produzir.Portanto, foi uma evolução natural de um projeto para uma banda de fato.

P.Z: Quando eu ouço músicas do EP Look What The Goat Dragged In como Blade of love e St. Pity, eu penso que elas têm uma rusticidade que ficou mais cristalina nas versões do debut, e na realidade, prefiro as versões do referido EP. Particularmente, o que você pode nos dizer sobre isso?

Roger: O Look What The Goat Dragged In foi gravado em dois dias. Aliás, não só isso, como o Rodrigo só conheceu as músicas quando fomos gravar. Nós trabalhamos os arranjos na hora e ele foi sensacional em captar a essência da coisa toda em tão pouco tempo. Então o EP ficou mesmo com uma cara mais de “vamos fazer agora”. Já com o disco, tivemos mais tempo para trabalhar. Além disso, é algo natural às vezes termos uma preferência pela versão que ouvimos primeiro e já estamos acostumados. Eu acho que as duas versões são bacanas justamente por essas diferenças, o que faz com que seja legal escutar ambas (risos).

P.Z: Músicas como Brand New Horse, Beatiful Bomb e Ultramarine Dog em sentido amplo devem agitar a galera onde quer que toquem, ao passo que músicas como Here She Comes e Desperate Passion dão aquela pausa para a nostalgia entrar em cena. Quais as musicas que mais têm tido participação do público?

Roger: As músicas que o pessoal já conhecia dos primeiros EPs possuem uma receptividade muito bacana, como a Blade of Love e a própria Ultramarine Dog. Geralmente as mais porradas funcionam muito bem ao vivo, não é? (risos). Mas a galera também tem curtido bastante os momentos menos ‘porradaria’ e músicas como Here She Comes e Desperate Passion têm feito a galera dançar, mesmo sem perceber (risos).

P.Z: Como são elaborados os conceitos das músicas? Há participação de todos os membros da banda ou alguém chega com as ideias e aí o restante vai sendo delineado em cima disso?

Roger: Bom, já tinha composto bastante coisa antes mesmo de gravar o Look What The Goat Dragged In. Por isso estamos trabalhando nessas músicas. Há bastante material e acho que o esquema tem funcionado bem. Nos ensaios e nas gravações todo mundo acaba contribuindo com ideias para os arranjos.

P.Z: No press realese da banda disponibilizado em seu myspace e para assessórias de imprensa, uma frase chama a atenção e instiga o amante da contracultura a buscar pelo Goatlove: “Uma banda sem segredos em busca do hedonismo puro”. Como vocês enxergam essa questão do prazer ser o bem supremo da vida, segundo prega a corrente filosófica hedonista?

Roger: Naturalmente é algo que serve apenas para representar a banda, seu conceito e ideias, sejam musicais ou líricas. Obviamente o hedonismo como conceito é muito sedutor, já que todo mundo busca prazer na vida, seja de uma forma ou de outra, mas é uma teoria. Levar o conceito a ferro e fogo para a vida real é mais complicado, mas continuamos tentando (risos). O release é só mais uma peça que tenta representar a banda e fugir daquele esquema de “o grupo fulano de tal foi formado na cidade de ...”. No fundo, é só mais uma forma de passar entretenimento, apenas isso.

P.Z: O que representou para a banda as participações especiais de Anita Cecilia Pacheco (Morpheus Dreams), Alexandre Bischof (Der Bischof), Jackson Jofre Rodrigues e Roberta Fiusa em The Goats Are NotWhatTheySeem?

Roger: São talentos que agregaram muito para o disco ficar do jeito que queríamos. Ficamos muito orgulhosos em podermos contar com eles no álbum e todas as participações foram essenciais para passar os sentimentos que pretendíamos com as músicas em questão. Ou seja, não foram participações por acaso ou aquele esquema de “ah, chega aí, grava alguma coisa” (risos). Ainda bem que pudemos contar com eles.

P.Z: Tem tido ampla divulgação do Goatlove fora do Brasil?

Roger: Fora do Brasil ainda estamos começando a trabalhar. A internet ajuda, pessoas de outros países entram em contato e você acaba tendo acesso a algumas coisas. Mas ainda estamos trabalhando nisso, nada amplo.

P.Z:Quais são as principais influencias dos músicos na banda?

Roger: As mais distintas possíveis (risos). O Goatlove é apenas o que temos em comum. Eu adoro Nick Cave, por exemplo e sei que o Marco é muito fã de Björk. O Alexandre escuta bastante Kreator e Possessed, o Frank é chegado em Black Metal e o Fábio curte um Dub (risos). Mas isso é uma fagulha apenas do que gostamos. Não dá pra sintetizar e, no fundo, tudo acaba influenciando, em menor ou maior escala.

P.Z: Em 2010 Roger, você teve uma participação especial no álbum The Clan dos seus conterrâneos do Genocídio, na música Settimia. Como ocorreu essa parceria?

Roger: O Perna (baixista da Genocidio) tinha entrado em contato comigo, pois pirou nas músicas do Look What The Goat Dragged In (risos). Eu nem tinha lançado ainda. Tanto que ele até fez a arte da capa e encarte pra mim. E, porra, sempre fui fã de Genocídio. Pra mim, foi muito legal ter ele fazendo a arte do EP. Depois o Murillo também pirou nas músicas e fomos mantendo contato. Só de saber que eles tinham curtido a banda já foi sensacional. E o Marco estava produzindo o The Clan. Aí o Murillo me ligou e falou: “olha, tem uma música assim, assado, e a gente acha que vai ficar foda com você fazendo as vozes comigo”. E a música era a Settimia. Quando ele me passou, fiquei de cara. Até hoje ainda faço ao vivo com eles de vez em quando. Pra mim, é puta orgulho saber que estou em um disco do Genocídio. Muito foda.

P.Z: Se precisassem rotular a sonoridade de vocês, como o fariam?

Roger: Rótulo é complicado. Muita gente nos associa ao Gothic Rock, outros ao Gothic Metal. Acho que sempre vai ter Gothic, não importa o que façamos (risos). Mas, na verdade, não acho que nenhum desses represente bem o que fazemos. Não somos puro-sangue de nada (risos). Aí, pra simplificar, cunhamos o Goat ‘n’ Roll e cada um interpreta como quiser. (risos).

P.Z: Atualmente, como vocês enxergam que tem sido a prática da sonoridade que traz novamente àtona aqueles elementos vanguardistas propostos por bandas como Bauhaus, The Cure e Sisters of Mercy?

Roger: Recriar eu acho impossível. Dá pra pegar essas influências e tentar fazer algo diferente. É o que a gente tenta fazer. Mas também não é reinventar a roda, não. É fazer o que gostamos sem muitas preocupações. Acho que é a melhor forma. Muita gente às vezes se perde em tentar fazer algo que está no topo no momento. Depois fica 5 mil bandas exatamente iguais. Fazer o que tem vontade, sem pensar se está “pegando” ou não, parece ser vanguarda suficiente hoje em dia (risos). Mas tem muita coisa bacana por aí.

P.Z: Recentemente, vocês lançaram uma promoção para que as pessoas gravem o vocal ou solo de guitarra da música Blade of Love, que foi disponibilizada separadamente somente com vocal e em instrumental, e a banda escolheria a versão favorita e premiaria o autor com CD autografado da banda autografado. Este tipo de marketing foi no mínimo inusitado, e muito criativo. O que as pessoas têm comentado sobre isso?

Roger: Obrigado. Essa ideia foi do Marco e ele preparou as versões sem voz e solo para o pessoal gravar em cima. A galera adorou. Tem até quem já tem o CD e quer participar mesmo assim (risos). É o tipo de coisa que cria uma aproximação com a galera, uma afinidade e, ao mesmo tempo, foge do usual.

P.Z: Para finalizar, além de divulgar o debut álbum, quais são os outros planos da banda por hora?

Roger: Agora queremos fazer o máximo de shows possíveis. Além disso, estamos preparando um videoclipe e também já estamos trabalhando nas músicas do segundo álbum. Quem ainda não tem o The Goats Are Not What They Seem, pode entrar em contato pelo e-mail press@goatloveweb.com ou no facebook.com/goatloveweb. Let’s Goat!



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