quarta-feira, 19 de março de 2014

SANGRENA: "Metal não é entretenimento, é arte"



A cena do Metal extremo brasileira passa por uma excelente fase, especialmente em se tratando de Brutal Death metal em que vemos surgir novas bandas ou ganhar destaque bandas que já estão na estrada, movimentando o underground há algum tempo, entre estas, encontra-se a banda Sangrena (Amparo-SP), na ativa desde 1998. Atualmente formada por Luciano Fedel (baixo, vocal), Fábio Ferreira (guitarra), Gustavo Bonfá (guitarra) e Alan Marques (bateria), nessa entrevista o guitarrista Fábio fala sobre o futuro lançamento nacional do debut Blessed Black Spirit, lançado no final de 2009 pela Darzamadicus Records (Macedônia) e Sevared Records (USA) e que, finalmente chega ao mercado nacional esse ano.

Pólvora Zine: Para começar, conte um pouco sobre a história da banda.

Fábio Ferreira: O SANGRENA começou em Julho de 1998 comigo e Luciano Fedel. Na verdade eu, o Fedel e o Ricieri (que tocou no SANGRENA de 2001 até 2012) tocamos juntos em outras bandas desde 1990. Depois de uma temporada em outra banda que não andou muito a gente decidiu formar o SANGRENA em 1998. No início da banda o Fedel era guitarrista também e começamos uma caçada para completar a line-up. Em Setembro de 1998 a banda estava formada. Nesses quase dezesseis anos muita coisa aconteceu, várias mudanças de formação, muitos shows pelo Brasil, produzimos uma K7-Demo, dois CDs Demo, um Split CD, 2 EPs e um Full length. 


P.Z: O debut Blessed Black Spirit foi lançado em 2009 simultaneamente nos EUA pela Sevared Records e na Europa pela Darzamadicus Records, como foi a recepção desse disco nos países em que ele foi distribuído? Vocês fizeram muitos shows lá fora?

Fábio: A resposta ao Blessed Black Spirit no exterior foi muito melhor do que esperávamos. A expectativa era muito grande porque não tínhamos ideia do que nos esperava. Constantemente recebíamos mensagens positivas tanto de público como da mídia especializada. Esperamos muito que o álbum seja bem aceito aqui no Brasil também. Ainda não tocamos fora do Brasil, mas está em nossos planos futuros.
  
P.Z: Só agora, quase cinco anos depois, é que o debut vai ser lançado e distribuído no Brasil. Expliquem um pouco essa história, por que tanto tempo para que o disco chegasse ao país, e como ele vai ser distribuído? De forma independente?


Fábio: Ele foi lançado no final de 2009 no exterior e trabalhamos com ele praticamente até o final de 2011, quando decidimos lançá-lo de forma independente no Brasil. A ideia era fazer esse lançamento no segundo semestre de 2012, mas tivemos uma mudança de formação importante nesse tempo com a saída do guitarrista Ricieri Geremias. Logo que houve a substituição por Gustavo Bonfá recomeçamos esse planejamento e só agora nos organizamos pra fazer com que isso aconteça da forma mais profissional possível. 

P.Z: Qual será a estratégia de vocês para a divulgação desse lançamento aqui no Brasil?

Fábio: Provavelmente o disco será lançado em Abril ou Maio e estamos organizando uma turnê que irá passar por várias cidades do país. Já temos algumas datas certas e divulgaremos os detalhes em breve. 

P.Z: Como vocês avaliam o cenário do metal nacional?

Fábio: Eu acredito que a cena do Brasil é uma das mais sólidas do mundo. Poucos lugares sustentaria uma cena com tantos “perrengues” e falta de estrutura como aqui no Brasil. Pra tocar Metal aqui tem que ter muita garra e força de vontade. A gente já entra nessa vida sabendo de tudo que vai passar e os obstáculos que teremos que superar, sem pretensão, apenas com a necessidade de criar nossa arte. A vantagem é que isso tudo deixa a cena mais honesta, os posers o tempo dá conta porque não aguentam o tranco e a arte se sobressai. Não importa o que aconteça nem a situação que viva, o artista tem a necessidade de fazer sua arte e fazer com que as pessoas se identifiquem com ela, e o Metal sendo especialmente um estilo de música fundamentado na arte, na sinergia do ser humano, se beneficia disso.
            Mas seria muito bom que o brasileiro tivesse a cultura de consumir arte, não só se interagir quando cai em seu colo sem muito esforço, porque assim conseguiríamos fazer com que um artista pudesse se dedicar mais à sua arte e assim todos nós, artistas e consumidores de arte, sairiam ganhando. Mas essa discussão acaba sendo política também porque envolve a educação e a cultura, que é implantada na população através do governo que, como sabemos, não tem muito interesse em desenvolver o senso crítico da população. 

P.Z: Ainda sobre o cenário nacional já se ouviu muito sobre os fãs do Brasil, que os mesmos não apoiam as bandas nacionais. Mas vamos esquecer o fator público de metal no Brasil. Na concepção de vocês o que as bandas nacionais precisam fazer para serem maiores dentro da nossa cena?

Fábio: Antes de tudo a banda tem que ser honesta com seus ideais e sua filosofia de vida. Metal não é entretenimento, é arte, e sendo assim é baseado na energia e nos sentimentos do artista. Não dá pra falar uma coisa e ser outra. Honestidade e coerência sempre! Talvez os membros das bandas tenham se esquecido que além de tocarem Metal eles também são público porque também curtem Metal. Se cada membro de banda também consumisse discos de bandas que gostassem, comprassem zines, fossem em outros shows underground, entre outras atitudes, nossa cena se sustentaria. Quando eu falo do mercado não é que tudo está fundamentado em ganhar dinheiro, pelo contrário, não acredito que arte seja profissão. Apenas estou levando em conta que o mundo é capitalista e precisamos de capital pra viver quer goste ou não, e dessa forma, novamente falando, o artista poderia se dedicar à sua arte. Essa sustentação financeira está ligada à viabilização do cenário, mas isso tem que ser a consequência da sua arte e nunca o objetivo. Se seu objetivo é ganhar dinheiro tocando é melhor tentar outro estilo de música.  

P.Z: O foco de vocês nesse momento será o Blessed Black Spirit, mas vocês já estão com um novo disco em processo de composição. Este registro já tem previsão de lançamento? Vocês vão lançar ele primeiro lá fora e depois no Brasil como foi com o Blessed...?

Fábio: Praticamente já acabamos as músicas e estamos tocando nos ensaios para darmos os últimos reparos nos arranjos. A nossa intenção é estarmos com ele pronto no começo do ano que vem pra talvez lançar no meio do ano. Ainda não sabemos como será o lançamento dele, gostaríamos que fosse simultâneo no Brasil e no exterior dessa vez. 

P.Z: Explique como funciona o processo de composição da banda.

Fábio: Na parte instrumental eu, o Fedel e o Gustavo compomos as bases de guitarra (cada um cria a sua música inteira) e depois mostramos aos outros membros pra discutirmos sobre ela. Assim que fazemos as alterações necessárias o Alan cria a bateria, na maioria das vezes ele sequencia uma batera eletrônica com as ideias que ele imaginou pra música e nos manda de volta. Depois os últimos acertos são feitos nos ensaios. As letras são todas compostas pelo Fedel, em alguns poucos casos a gente manda uns textos com algumas ideias ou alguns temas e ele desenvolve. Preferimos assim porque fica mais fácil pra ele interpretar depois porque ele sabe o que ele estava sentindo quando escreveu e a energia que ele quer transmitir na execução. 

P.Z: Vocês possuem influências de Morbid Angel, Slayer, Hate Eternal entre outras. Mas do que tem sido feito atualmente no Metal, o que vocês têm escutado?

Fábio: Isso é muito sazonal, cada época nós escutamos bandas diferentes. Nesse momento estamos curtindo as Italianas, estamos ouvindo muito FLESHGOD APOCALIPSE e HOUR OF PENANCE. 

P.Z: Voltando ao Blessed Black Spirit, qual foi a inspiração para a escrita das letras?

Fábio: O Blessed Black Spirit é quase todo voltado à opressão espiritual-religiosa e os danos que isso se aplica à mente, ao juízo do ser humano. É um disco anti-religioso, baseado no anti-cristianismo. Mas também falamos de violência, guerra, suicídio, entre outros assuntos. 

P.Z: A palavra está aberta agora para vocês dizerem o que quiserem aos fãs.

Fábio: Primeiro muito obrigado ao Écio e o Pólvora Zine pelo espaço cedido ao SANGRENA e continue nessa batalha porque a cena precisa de gente como você, que batalhe a favor. Pra quem tiver interessado em conhecer mais o SANGRENA pode visitar nossa página no facebook www.facebook.com/sangrenaofficial e ouvir algumas do nosso álbum, Blessed Black Spirit, que está pra sair. Esperamos encontrar vocês em algum show da nossa tour. Não desistam da guerra... Sigam a Marcha!

            

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