sexta-feira, 15 de agosto de 2014

PROJECT 46: “Hoje não basta dizerem que sua banda soa que nem banda gringa, queremos bem mais”.

Por Ramon Teixeira
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Formada em 2008 e atualmente composta por Caio MacBeserra (vocal), Jean Patton (guitarra e backing vocal), Vini Castellari (guitarra), Rafa Yamada (baixo) e Henrique Pucci (Bateria, ex-Paura), a banda paulistana PROJECT 46, um dos mais novos representantes da atual safra do Metalcore brasileiro, está conquistando cada vez mais espaço no com suas letras ácidas cantadas em português. Depois da visibilidade adquirida com o excelente Doa a quem doer (2011), a banda se encontra em trabalho de divulgação do seu mais recente lançamento, Que seja feita a nossa vontade (2014). E nessa entrevista para o PÓLVORA ZINE Jean Patton e Henrique Pucci falam um pouco sobre a trajetória da banda e o atual momento.
Pólvora Zine: Conte-nos um pouco como surgiu a banda.
Jean Patton: A banda surgiu de jams entre o Vini e eu, em casa tomando cerveja. Nós fazíamos parte de um Slipknot cover, o Kroach. O Vini tocava guitarra e eu percussão na banda, pois já tinha outras bandas como guitarrista, como um Pantera cover, por exemplo. Quando decidimos gravar as músicas que tínhamos feito apenas na guitarra, chamamos os caras mais próximos da gente e amigos desde pequenos para fazer umas jams. Saíram quatro músicas em quatro dias seguidos, foi animal, curtimos muito e então oficializamos a banda e saímos fazendo o corre, desde 2008!

P.Z: Como se deu o processo de composição do Que seja feita a nossa vontade (2014)?
Henrique Pucci: O processo realmente começou quando eu entrei na banda. Começamos fazendo longas jams, entrosando, sem o compromisso de compor nada, procurando gravar tudo e ouvir depois. Através desse processo ideias começaram a tomar forma, e começamos a ter indícios que seria um álbum bem mais pesado, com grooves e andamentos bem variados, incorporando o que nós brasileiros metaleiros tínhamos para dizer, e tocar, buscando inspiração no que realmente somos e vivemos, e não somente no que ouvimos.
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PROJECT 46 no Roça and Roll 2014
P.Z: Em comparação ao debut, o que o novo lançamento tem a oferecer para os fãs?
Henrique: Mais peso, letras ácidas e contundentes, grooves regionais fundidos no Metal, músicas rápidas, afinação mais pesada e mais violência.
P.Z: A bateria de Doa a quem doer foi gravada por Guilherme Figueiredo (Imbyra), que logo depois, foi substituído por Henrique Pucci (ex-PAURA). Neste sentido, quais foram as contribuições de Pucci para o novo disco?
Jean: O Henrique trouxe outras influências e ideias para dentro do PROJECT 46 e uma forma diferente de compor. Veio com características que nos agradou desde o primeiro ensaio, e conseguimos chegar mais rápido nos resultados que buscávamos. Hoje temos um entrosamento de irmãos e nem sei o que esperar de um terceiro disco.
P.Z: As letras do novo disco são extremamente críticas em relação ao cenário político brasileiro.
Jean: O manifesto artístico sempre nos chamou atenção. Sempre presenciamos dentro de nossas influências, letras que manifestavam alguma indignação por parte dos autores e quisemos fazer o mesmo pelo simples fato de morarmos no Brasil, um país com tantos problemas sociais e desigualdade. Bandas como SEPULTURA, RATOS DE PORÃO e CLAUSTROFOBIA nos inspiraram muito nesse sentido. Todos nós moramos no meio da capital de São Paulo, palco de uma infinidade de problemas que vemos no dia a dia. Então decidimos fazer esse álbum, exatamente com essa finalidade: jogar merda no ventilador, e foda-se.
P.Z: A banda se apresentou em importantes festivais como, por exemplo, no Maquinaria Fest (2012), no Monsters of Rock (2013) e mais recentemente no Roça N Roll 2014, ao lado de grandes nomes do Metal mundial. O que isso representa para a banda?
Henrique: Mais responsabilidade, porque hoje estamos sendo vistos, temos que ser muito mais foda a cada dia, não podemos desapontar nossos fãs que nos ajudam muito, e esperam assim como nós algo novo e foda a todo instante. Não temos medo de trabalho, e estamos preparados pra isso, não gostamos de perder nenhuma oportunidade de crescer, procuramos aprender muito com as bandas as quais tocamos, e os festivais que você citou nos ensinaram muito.
P.Z: Além do fato de Antonio Araújo (KORZUS) e Rafael Bittencourt (ANGRA) terem usado a camisa da banda em seus shows no Roça N Roll, o último ainda disse para o PÓLVORA ZINE que “O show do Project46 [no Roça N Roll] matou a pau” e que foi um dos melhores shows do fest. O que esse reconhecimento da velha guarda do Metal nacional representa para a banda?
Henrique: Representa três coisas muito importantes que não se via aqui entre bandas: respeito, união, e principalmente continuidade. Ter a oportunidade de aprender com pessoas tão experientes, que viveram tanta coisa e ainda vivem, pegaram o começo o meio e o fim, muitas vezes, são grande parte da história da nossa música.
P.Z: Como vocês avaliam o cenário do Metal nacional?
Henrique: Nunca esteve melhor, com as mais variadas bandas, um dos mais ricos do mundo, em termos de conteúdo, e hoje é totalmente possível cantar em português. A qualidade das bandas nunca esteve tão boa, hoje elas têm a possibilidade de produzir um disco da maneira que deve ser, concorremos diretamente com o Metal de fora, sendo muitas vezes melhor do que ele. Hoje não basta dizerem que sua banda soa que nem banda gringa, queremos bem mais.
P.Z: Usando o próprio exemplo da banda, no cenário atual, qual a importância vocês atribuem às redes sociais para a divulgação do trabalho das bandas?
Jean: Enorme! A internet veio com muitos prós e contras para o cenário musical do planeta. O lado bom é que hoje em dia, uma banda só se destaca por alguma qualidade que interessa aos ouvintes e não é empurrada goela a baixo pelas gravadoras que antes manipulavam toda a mídia para vender seus discos. E as redes sociais só reforçam isso. Milhões de pessoas usam as redes sociais o dia todo, e gerar conteúdo bom para alcançar o maior número de pessoas possíveis, é uma tarefa difícil, mas abre muitas oportunidade quando é feito da maneira sincera e honesta. Nós desfrutamos muito disso. Já passamos por todas as redes sociais possíveis e gostamos muito desse tipo de ambiente em que você escolhe o que quer ver/ouvir.
P.Z: Obrigado pela entrevista. A palavra está aberta agora para vocês dizerem o que quiserem aos fãs.
Jean: Muito obrigado ao PÓLVORA ZINE pela oportunidade de falar um pouco mais sobre o nosso trabalho, e a todos vocês que leram até o final essa entrevista. Ouçam nosso novo álbum, Que seja feita a nossa vontade, gratuitamente pelo YouTube:http://goo.gl/02Uyz8. Também disponível no iTunes, Spotify, Deezer, entre outros.

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