sábado, 12 de março de 2016

COGUMELO RECORDS: um legado que persiste ao tempo!

COGUMELOlogo
Por Écio Souza Diniz
Uma das histórias que mais se confunde com a do cenário underground nacional é da loja e gravadora COGUMELO RECORDS, fundada por Creusa Pereira de Faria (Patty) e João Eduardo de Faria Filho há mais de 30 anos. O que aparentemente era pra ser uma loja que vendia tudo em termos de música se tornou a principal gravadora de Metal extremo do Brasil, alavancando a carreira de várias bandas de suma importância e que se tornaram conhecidas mundo afora, tendo como exemplos capitais SEPULTURA, SARCÓFAGO e VULCANO. É para nos contar um pouquinho disso tudo, traçando um paralelo sobre as atuais tendências no mercado da música pesada e como enfrentar as crises da indústria fonográfica e a crise econômica nacional dos últimos anos que João cedeu esta entrevista ao PÓLVORA ZINE.  
A COGUMELO está há mais de 35 anos no mercado do Metal, especialmente o Metal extremo. O que você considera como principal motivo para esta longevidade?
João Eduardo: Passamos por altos e baixos, como todas as empresas passam no Brasil. A gente está aí até hoje por causa de nossa dedicação ao metal nacional, aos nossos amigos que nos acompanham há décadas e também graças as pessoas que realmente amam as bandas do selo. Continuar no mercado é fruto deste trabalho.    

Diversos documentos históricos têm sido lançados para contar a historia da gravadora no e sua importância para o cenário metálico brasileiro como o documentário “Ruído das Minas: a história do Heavy metal em Belo Horizonte” (2009), o livro/catálogo “Cogumelo 30 anos” (2012) e “Cogumelo 35 anos” (2015). O que você acha deles e qual as suas importâncias para as novas gerações de headbangers brasileiros?
João: O livro “Catalogo Cogumelo 30 anos”  foi uma iniciativa oficial da Cogumelo para ilustrar o trabalho da loja e gravadora desde a fundação
Foi uma parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, através da Lei de Incentivo a Cultura e foi marcante realizar este livro. Deu um trabalho danado, mas o resultado e o retorno que recebemos das pessoas foi muito bacana. Os dois Documentários ( “Ruído das Minas” e o “Cogumelo 35 anos” não são oficiais da gravadora, mas foram projetos bem legais, realizados por pessoas dedicadas a musica pesada também. O retorno dos dois documentário também foi gigante. Temos um novo projeto que é realizar o documentário oficial da Cogumelo. Mas isto ainda é um projeto aqui dentro da gravadora que anda devagar, mas uma hora verá a luz do dia. 
Se repartirmos as décadas da gravadora em termos de distribuição e lançamento de discos poderia ser: os anos 80 como a década do começo e firmação no cenário brasileiro e época de outro, visto que fervilha toda uma cena composta de bandas que hoje são lendas; os anos 90 como a ascensão, visto que, por exemplo, o SEPULTURA conquistava cada vez mais o mercado externo, e bandas como SARCÓFAGO e VULCANO já haviam se tornado referencia no Metal extremo na Europa, especialmente na Escandinávia; e os anos 2000 que foi representado por ambas a queda na indústria fonográfica e a reinvenção do selo perante as dificuldades, ampliando o seu leque de bandas.
Neste aspecto, como você enxerga a atividade da gravadora nos anos 2000 e bandas dessa safra como DROWNED, HAMMURABI, HATEFULMURDER, NERVOCHAOS, TRAY OF GFIT, entre outras?
João: A nossa visão dentro da gravadora não mudou durante este tempo, nós temos as bandas clássicas, mas não podemos deixar de investir em sangue novo porque senão o movimento de musica pesada nacional para. Por isto o investimento constante que fazemos todo ano em bandas novas. No Brasill não exitem politicas publicas para a cultura e principalmente para a musica nacional. Existem iniciativas isoladas em algumas épocas, mas nunca constantes.
Quais são as melhores facilidades e maiores desafios para sustentar um selo de estilos underground no Brasil atualmente?
 João: Facilidades não existem, somente desafios. O maior problema é a falta de apoio, o eterno preconceito contra tudo que a cultura rock representa no Brasil. Quando eu era mais jovem, todo mundo já me olhava de cara virada, por causa de minhas roupas e meu cabelo. E pasme, até hoje é a mesma merda! Trabalhar com musica underground é muito difícil.
O catálogo de discos clássicos de bandas como CHAKAL, HEADHUNTER D.C HOLOCAUSTO, MUTILATOR, MISTIFYER, SARCÓFAGO e SEXTRASH
tem sido relançado em CD e Vinil em parceria com a estadunidense GREYHAZE RECORDS. Qual tem sido o principal saldo desta parceria?
Tem sido visivelmente a mais vantajosa para vocês até hoje?
João: Com toda a certeza, a parceria com Jayme Neto, da Greyhaze representa muito para nós e eles têm feito um trabalho excelente lá nos Estados Unidos. Durante este tempo, temos notado um crescimento de catalogos e relançamentos das duas gravadoras. Somente poderia dar certo porque nos temos total confiança no trabalho dele. Acredito que este ano o numero de lançamentos em parceria deve crescer ainda mais.
Ainda falando sobre parceria, a COGUMELO também teve uma parceria com a francesa OSMOSE PRODUCTIONS para relançamento de alguns discos de algumas das bandas citadas acima na Europa. No, entanto esta parceria não está mais ativa. Qual foi o principal motivo para romper com eles? 
João: A Osmose foi uma opção anterior à Greyhaze e não fomos bem sucedidos na parceria. Talvez seja a questão de ser outra cultura.
Talvez pela visão diferenciada que a gente conseguiu despertar na Greyhaze e na dedicação do Jayme ao Metal  Brasileiro.
Há alguns atrás a COGUMELO organiza bem mais shows em Belo Horizonte, trazendo inclusive importantes bandas do cenário extremo mundial. O motivo para isso ter diminuído foi a baixa em numero de casas de shows para este tipo de evento na cidade ou você acha que o público para shows tem diminuído? 
João: O motivo de organização de shows ter diminuído é a alta cotação do dólar. Fizemos o primeiro evento de 35 anos da Cogumelo, trazendo o NILE, mas queremos fazer um segundo evento até o mês de Agosto. O publico também está sem dinheiro, por causa desta crise econômica gerada por esta turma de ladrões que está no poder.
Recentemente alguns dos lançamentos mais chamativos tem sido o lançamento da compilação Die hard! (2015) do SARCÓFAGO,
contendo demos da banda e o relançamento do álbum The hangman tree (1991) do THE MIST. Como tem sido a procura por eles?
João: Vamos relançar todo o trabalho das bandas mais representativas dentro da serie Cogumelo Remasters em digipack e LP aqui no Brasil e alguns títulos nos Estados Unidos. O Die Hard! do SARCÓFAGO está sendo lançado agora em CD lá nos Estados Unidos e no formato de LP duplo até março.
O THE MIST The Hangman Tree e Phantasmagoria vão seguir o mesmo caminho e terão lançamentos simultaneamente aqui no Brasil e lá nos Estados Unidos. A procura por material tem sido legal, temos procurado caprichar na produção da serie remaster, procurando sempre melhorar a parte sonora e gráfica dos relançamentos.
Com relação ao Die hard! e a diferença entre ele Decade of decay (1995) que tinha o mesmo propósito de mostrar lados B e demos do SARCÓFAGO, o que você pode nos dizer?

João:
 Decade of Decay foi realizada para comemorar os 10 anos do SARCÓFAGO. Tinha alguma coisa das demos lá. Mas agora vc. têm todos as demos do SARCÓFAGO lá no Die Hard!. O baú completo do  SARCÓFAGO, inclusive musica cantada em português.
Uma banda que ainda carece ser melhor relançada é o WITCHHAMMER.
Por que exatamente ainda não ocorreu o relançamento do clássico Mirror my mirror (1990), por exemplo?
João: O trabalho do WITCHHAMMER é classico e deve ser relançado durante este ano no formato digipack também. A gente deve começar a trabalhar nisto breve. São pessoas muito queridas aqui no selo.
Quais são os planos já elaborados até o momento para o futuro da gravadora nos próximos anos?
João: O futuro de qualquer negócio depende do cenário econômico onde as empresas trabalham e da ideologia das pessoas que dirigem o selo. Vamos ver a demanda de mercado para o formato da musica e também sempre focar no artista brasileiro. O mercado de musica está mudando o tempo inteiro ,e  a gente está sempre correndo atrás. Eu comecei a vida ouvindo compactos de vinil, e até hoje prefiro ouvir meus velhos e novos vinis, pois podem falar o que quiserem, mas a qualidade do vinil ninguém bate. Por isto fico feliz e muito orgulhoso, quando a gente relança um compacto ou um vinil. É uma festa só!!!

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